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Vinga Va: testámos o novo clipstick modular

Um clipstick é uma daquelas peças de material que talvez não uses em todas as vias, mas que, quando faz falta, pode fazer mesmo muita falta. Um primeiro bolt demasiado alto, uma entrada complicada, uma via que queremos projetar sem gastar energia desnecessariamente ou simplesmente aquele dia em que preferimos começar a escalar já protegidos.

O problema? Os clipsticks com maior alcance tendem a ser grandes e pouco práticos de transportar. Os pequenos são muito mais cómodos, mas nem sempre chegam onde queremos.

Foi precisamente aqui que a marca espanhola Vinga Va encontrou uma solução bastante inteligente: por que não ter os dois?

Dois clipsticks num só

A Vinga Va La Canya apresenta-se como o primeiro clipstick modular da marca e está dividido em duas secções independentes.

A secção azul fecha até apenas 44,5 cm, pesa 285 g e pode estender-se até 146 cm. É suficientemente pequena para andar presa ao arnês e leve o suficiente para a transportar connosco quando estamos a escalar.

Para muitas situações, é tudo aquilo de que precisamos.

Mas aparece um bolt mais distante? Queremos alcançar a próxima express? É aí que entra a parte mais interessante do sistema.

A segunda secção encaixa através de um sistema de rosca, transformando as duas peças num clipstick que pode atingir 3,62 metros de comprimento. Montado na configuração completa, pesa 675 g.

Pequeno quando queremos. Enorme quando precisamos.

No arnês ou na mochila

Foi provavelmente o aspeto que mais gostámos durante os nossos testes.

Em vez de andar todo o dia com uma vara telescópica enorme, podemos levar apenas a secção pequena no arnês. Para equipar rapidamente um primeiro bolt, recuperar uma express ou resolver uma situação pontual, está imediatamente disponível.

Se sabemos que vamos precisar de todo o alcance, juntamos a segunda secção.

E durante a aproximação há outra vantagem simples, mas muito bem-vinda: as duas partes cabem dentro da mochila de escalada. Nada de uma vara enorme a sair da mochila, prender-se em ramos ou bater em tudo pelo caminho — uma das vantagens que a própria Vinga Va destaca no desenho modular.

Quem já fez uma aproximação por vegetação fechada com um clipstick gigante às costas provavelmente percebe imediatamente o apelo.

Segurança nos primeiros movimentos

Claro que a utilização mais óbvia continua a ser aquela para a qual os clipsticks existem: chegar ao primeiro bolt antes de começarmos a escalar.

Nem todas as vias têm o primeiro ponto onde gostaríamos. Há entradas difíceis, bases desconfortáveis e movimentos onde uma queda antes de clipar pode significar acabar no chão.

Poder colocar a primeira express e começar a via já protegido reduz esse risco. Com os 3,62 metros de alcance máximo, a Vinga Va permite ainda chegar a pontos que muitos clipsticks mais compactos simplesmente não alcançam.

E, dependendo da posição dos pontos e da base da via, às vezes não precisamos de parar no primeiro.

Primeiro bolt? Segundo bolt? Se conseguimos chegar em segurança a partir do chão, melhor ainda.

Naturalmente, um clipstick não substitui uma avaliação correta da via, da queda, da base e do sistema de segurança. Deve ser sempre utilizado de acordo com as recomendações do fabricante.

Projetar sem desperdiçar energia

É aqui que o clipstick deixa de ser apenas uma ferramenta de segurança e passa também a ser um excelente companheiro de projetos.

Imagina chegar ao teu projeto e ter pela frente uma via longa, física e dura. Antes sequer de começares a trabalhar os movimentos, tens de gastar uma tentativa inteira simplesmente a colocar expresses.

Se for possível alcançar vários pontos a partir do chão, ou ir ponto a ponto, podemos colocar tantas expresses quanto o alcance e a posição da via permitirem, poupando movimentos e energia para aquilo que realmente interessa: experimentar os passos.

Menos energia gasta a equipar. Mais energia para o crux.

Para quem passa várias sessões na mesma via, é uma pequena vantagem que rapidamente se começa a apreciar.

Clipar é apenas o início

A cabeça da Vinga Va também foi pensada para fazer bastante mais do que simplesmente colocar uma express.

O sistema permite colocar expresses, clipar a corda, desclipar, retirar expresses e apanhar a corda. A marca desenhou ainda a pinça para que o mosquetão não feche facilmente num simples contacto acidental com a parede, permitindo várias tentativas de colocação.

Na prática, isto torna-o numa ferramenta bastante versátil para aqueles pequenos problemas que aparecem constantemente quando estamos a projetar uma via.

Não acertaste no bolt à primeira? Tenta novamente.

Precisas de recuperar uma express? Também dá.

Precisas de ganhar mais alcance? Rosca a segunda secção.

É um produto surpreendentemente simples para a quantidade de situações que consegue resolver.

E a qualidade?

No Rock Climbing Portugal testámos a Vinga Va em utilização real, e a impressão foi muito positiva.

O sistema modular revelou-se prático, os encaixes funcionaram bem durante os nossos testes e os materiais transmitem uma sensação de qualidade e robustez. Depois de vários testes de utilização, passou os nossos testes de qualidade sem problemas.

Também gostámos particularmente do equilíbrio entre peso e alcance. São 285 g na secção pequena, 390 g na segunda e 675 g com ambas montadas — números interessantes tendo em conta que, na configuração completa, estamos a falar de um alcance máximo de 3,62 metros.

Uma ideia simples que faz sentido

Às vezes os produtos mais interessantes não tentam reinventar completamente uma categoria. Pegam simplesmente num problema que todos conhecemos e perguntam: “Porque é que isto tem de ser assim?”

A Vinga Va fez isso com o clipstick.

Queremos algo pequeno? Temos 44,5 cm.

Queremos levá-lo no arnês? Podemos.

Queremos escondê-lo dentro da mochila? Também.

Precisamos de chegar muito mais longe? Juntamos as duas partes e podemos atingir 3,62 metros.

É essa versatilidade que mais nos conquistou.

Sendo uma marca espanhola, é também particularmente interessante para escaladores portugueses que procuram uma alternativa europeia. Na nossa experiência, a encomenda chegou a Portugal em apenas 2 dias, tornando-se uma opção perfeitamente prática para quem escala por cá.

Gostámos da qualidade dos materiais, do baixo peso da secção que podemos transportar no arnês, da facilidade de transporte dentro da mochila e, sobretudo, da ideia que está no centro de tudo: não termos de escolher entre um clipstick compacto e um clipstick com muito alcance.

Para segurança nos primeiros bolts, para trabalhar projetos, colocar ou recuperar expresses ou simplesmente poupar alguma energia antes daquele burn importante, tornou-se uma ferramenta que é muito fácil justificar dentro da mochila.

Mais informações, características e instruções de utilização no site oficial da Vinga Va:

vinga-va.com

⭐⭐⭐⭐⭐ 5/5 — Rock Climbing Portugal

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