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Penha Bloco: um novo capítulo da escalada na Penha

No coração do Minho, às portas de Guimarães, o Monte da Penha guarda entre caminhos e vegetação uma enorme quantidade de granito. Apesar de a escalada já ter marcado presença por aqui, grande parte do potencial dos seus blocos permanecia por explorar.

O projeto Penha Bloco quer mudar isso, dando a conhecer uma nova zona de escalada de bloco no Norte de Portugal e revelando, linha a linha, o granito da Penha. Falámos com David Pinto sobre a origem do projeto, o trabalho realizado até agora e tudo aquilo que ainda está por descobrir.

Quem conhece o Monte da Penha conhece também o granito. Grandes formações rochosas surgem por entre a vegetação, caminhos e pequenas passagens naturais, criando uma paisagem muito particular a poucos quilómetros do centro de Guimarães.

A escalada não é novidade por aqui. A Penha conta há muito com setores de escalada desportiva, mas a quantidade de blocos espalhados pela zona deixava espaço para explorar uma vertente diferente.

Foi durante os muitos passeios pela Penha que David Pinto começou a olhar para esse potencial com outros olhos.

“Senti que tinha de fazer alguma coisa para dinamizar a prática de escalada naquele lugar.”

Assim começou um trabalho de exploração, limpeza e abertura que viria a dar origem ao projeto Penha Bloco.

O granito estava ali

A motivação para começar a explorar os blocos foi bastante simples: havia muita rocha e estava perto de casa.

“A quantidade e variedade de rocha que podemos explorar sem termos de nos deslocar para longe”, explica David.

Nos setores desenvolvidos pelo projeto, não existiam linhas anteriores para recuperar ou redescobrir. “Nos setores que abrimos foi tudo novo, começámos do zero.”

Isso significou procurar blocos com potencial, perceber possíveis linhas, limpar a rocha e começar a experimentar movimentos.

E se encontrar rocha nunca foi propriamente o problema, transformar esse potencial numa zona de bloco implicou bastante trabalho.

Quando perguntamos pelos maiores desafios, David aponta dois: “Limpar e encontrar alguém que estivesse disposto a colaborar neste projeto.”

Escalar os cristais da Penha

O granito é uma das características que define a escalada na Penha.

“O granito na Penha é um granito que tem muitos cristais. O escalador tem que se adaptar e procurar uma escalada mais técnica para as mãos, e sobretudo para os pés, tendo de valorizar os cristais a cada movimento.”

É uma escalada onde a leitura e a precisão dos pés podem ser tão importantes como a força, obrigando a descobrir pequenas possibilidades numa superfície aparentemente pouco generosa.

Atualmente estão abertas 66 linhas, com dificuldades que vão aproximadamente do 4 ao 8B.

Essa amplitude permite encontrar desde blocos acessíveis para quem está a dar os primeiros passos na rocha até projetos para escaladores bastante mais experientes.

Uma nova geração para um lugar com história

A aposta na escalada de bloco não aconteceu apenas porque havia rocha por explorar.

Para David, existe também uma oportunidade de aproximar uma nova geração de escaladores de um lugar que já faz parte da história da escalada da região.

“O Boulder tem atraído uma nova geração de escaladores e a Penha precisa dessas pessoas para voltar a ser um grande local de escalada.”

Com cada vez mais escaladores a iniciarem a modalidade em ginásios de bloco, lugares como a Penha podem funcionar como uma ponte natural entre a escalada indoor e a rocha.

E aqui existe bastante rocha para descobrir.

Escalada, caminhos e granito

Quando perguntamos o que distingue a Penha de outras zonas de bloco em Portugal, David aponta sobretudo para a facilidade de acesso aos setores e para tudo aquilo que existe à volta da escalada.

“Todos podemos aceder facilmente aos setores, o que permite trazer a família e os amigos, quer seja para escalar ou para caminhar.”

A Penha é atravessada por caminhos e pequenas passagens entre enormes formações graníticas, fazendo com que procurar o próximo bloco também seja uma forma de explorar o lugar.

“Também podemos descobrir cada cantinho mágico através dos caminhos e passagens das rochas graníticas.”

Essa combinação entre acessibilidade, natureza e quantidade de rocha é uma das características que o projeto pretende aproveitar.

De abrir blocos a criar um croqui

À medida que começaram a surgir novas linhas, tornou-se necessário organizar o trabalho e dar uma identidade ao projeto.

“A colaboração surgiu com a necessidade de dar nome e criar um logótipo — aqui contei com o apoio da Silvia Silva —, o que abriu caminho para a elaboração do croqui da Penha.”

Para desenvolver o croqui, David procurou depois a ajuda de Ricardo e da equipa da Climbyard.

“A equipa da Climbyard fez um trabalho fantástico. Estou muito grato a todos eles.”

O resultado permite agora consultar os setores e linhas já documentados e ajuda quem visita a Penha pela primeira vez a perceber melhor a zona.

Segundo David, a resposta dos escaladores tem sido positiva.

“O feedback tem sido bom e o croqui tem despertado bastante curiosidade.”

Escalar também é cuidar

O desenvolvimento de uma zona de bloco não termina quando uma linha é limpa e escalada pela primeira vez.

Mais escaladores significam também maior responsabilidade sobre o espaço.

A mensagem de David para quem visita a Penha é simples:

“Os visitantes devem respeitar os espaços públicos e o meio ambiente, fazendo dele o seu melhor amigo.”

E contribuir para o desenvolvimento da zona não significa necessariamente abrir novos blocos.

“Os escaladores podem contribuir de forma simples, vindo escalar à Penha e partilhando as suas histórias e conquistas no nosso site e redes sociais.”

Quanto mais linhas forem escaladas e mais informação for partilhada, mais fácil será também perceber como a zona evolui e quais os setores que precisam de manutenção.

Ainda há muito granito por descobrir

Apesar do trabalho já realizado, o potencial da Penha está longe de estar esgotado.

“Existem novos setores e blocos que ainda faltam descobrir.”

Os próximos passos passam por continuar a explorar e abrir novos setores de bloco, mas também por manter aquilo que já foi desenvolvido.

“Os próximos objetivos do Penha Escalada são continuar a abrir novos setores de blocos para escalar, limpar, fazer manutenção nos que já existem e abrir um novo setor de escalada desportiva.”

Estão também previstos encontros entre escaladores, dando ao projeto uma dimensão que vai além da abertura de linhas.

Porque talvez seja precisamente aí que esteja o maior potencial do Penha Bloco: usar os blocos que sempre fizeram parte da paisagem da Penha para trazer novamente escaladores ao lugar — e descobrir quantas linhas ainda estão escondidas entre o granito.


Penha Bloco — informação

Local: Monte da Penha, Guimarães
Rocha: Granito
Linhas abertas: 66
Dificuldades: 4 a 8B

Instagram: @Penha_Escalada
Croquis / Topos: Climbyard
Fotografias: Claudia Cruz — @claudiacruzart

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