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Três anos de PROA: de um projeto entre amigos a uma comunidade de escalada em Matosinhos

O PROA Climbing Center celebrou em outubro o terceiro aniversário. Falámos com os três fundadores sobre a origem do projeto, o crescimento da comunidade, aquilo que aprenderam pelo caminho e a visão para os próximos anos da escalada em Portugal.

Três amigos, uma paixão comum pela escalada e a vontade de construir um espaço próprio. Foi a partir desta combinação que nasceu o PROA Climbing Center, em Matosinhos.

Três anos depois da abertura, o projeto é hoje bastante diferente daquele que recebeu os primeiros escaladores em 2023. Pelo caminho chegaram novas áreas de treino, uma Tension Board, uma parede infantil e uma comunidade que cresceu ao mesmo tempo que o próprio espaço.

O terceiro aniversário, celebrado em outubro, serviu também como oportunidade para olhar para trás. A data ficou associada a mais uma edição do PROA Climbing Contest, marcada para 5 de outubro e concebida em torno de 30 blocos distribuídos por dois turnos, terminando com uma final de velocidade entre os quatro melhores classificados das categorias feminina e masculina.

Mas a história destes três anos começa muito antes das competições.

Três amigos e a vontade de construir algo próprio

Antes do PROA existir, Aurélio, Guilherme e David já partilhavam muitas horas de escalada e trabalhavam juntos noutro ginásio, onde davam aulas e faziam routesetting.

Foi nesse contexto que começaram a perceber que funcionavam não apenas como amigos e parceiros de escalada, mas também enquanto equipa.

«A PROA nasceu da paixão partilhada por três amigos e das várias aventuras que vivemos em conjunto na escalada.»

A experiência profissional acumulada permitiu-lhes desenvolver uma ideia própria sobre aquilo que gostariam de encontrar num ginásio. Em vez de adaptarem um espaço já existente, decidiram avançar para um projeto construído de raiz e pensado à sua imagem.

O objetivo não era simplesmente criar paredes onde fosse possível escalar. Queriam um espaço mais pequeno e próximo, onde a qualidade do serviço e a relação com quem entrava pela porta fossem parte central da identidade.

Porquê Matosinhos?

A localização também surgiu de forma bastante natural.

Os três fundadores são da região do Porto e conheciam bem Matosinhos, uma cidade onde a praia, o surf, o treino e as atividades ao ar livre já fazem parte da rotina de muita gente.

Para o PROA, esse contexto fazia sentido.

«Percebemos logo que Matosinhos reunia o público ideal: uma comunidade jovem e muito voltada para o desporto, impulsionada pela vivência e treino junto à praia.»

Essa proximidade ao mar acabou também por influenciar a própria identidade do projeto. Hoje, o PROA apresenta-se como um ponto de encontro para praticantes de boulder no coração de Matosinhos, aberto tanto a quem está a experimentar escalada pela primeira vez como a quem já treina regularmente.

Um ginásio que também foi sendo construído depois de abrir

Quando as portas abriram, nem tudo aquilo que os fundadores imaginavam para o PROA estava pronto.

O espaço começou sem zona de bar, sem Tension Board e sem parede infantil. Em vez de encararem essa primeira versão como um produto acabado, os três anos seguintes transformaram-se num processo contínuo de aprendizagem e melhoria.

«O balanço destes três anos, em especial dos dois primeiros, pauta-se por uma enorme curva de aprendizagem e por conquistas muito significativas.»

As novas áreas foram aparecendo gradualmente e a experiência tornou-se mais completa. Ainda assim, a equipa prefere não olhar para o ginásio como algo terminado.

Há sempre algo que pode ser melhorado, acrescentado ou repensado.

Essa evolução acompanha também aquilo que acontece do outro lado das paredes: muitos dos clientes que hoje fazem parte da rotina do PROA chegaram ao espaço sem praticamente nenhuma experiência de escalada.

Ver alguém começar do zero e continuar três anos depois

Para os fundadores, um dos aspetos mais gratificantes destes primeiros anos não está necessariamente nos escaladores mais fortes.

Está nas pessoas que entraram pela primeira vez sem saber se a modalidade seria para elas e acabaram por ficar.

«Vimos inúmeras pessoas darem os primeiros passos na escalada no nosso espaço e que, hoje, são praticantes assíduos.»

Alguns chegaram ao PROA depois de nunca se terem identificado com ambientes de ginásio mais tradicionais. A escalada acabou por lhes oferecer outra forma de treinar, socializar e manter uma rotina fisicamente ativa.

Essa progressão pode depois seguir caminhos diferentes.

Há quem queira simplesmente continuar a fazer boulder indoor, enquanto outros começam naturalmente a perguntar como podem fazer a transição para a rocha. Nesse segundo caso, a equipa procura encaminhar os praticantes para locais, empresas e associações certificadas onde possam aprender com segurança.

No lado indoor, os planos passam também por reforçar a área de treino e desenvolver acompanhamento mais específico para quem procura evolução de performance.

Um veterinário, um gestor e um especialista em desportos de natureza entram num ginásio de escalada

Gerir um ginásio, descobriram rapidamente, exige competências bastante diferentes de saber escalar ou fazer bons blocos.

Nesse ponto, a diversidade profissional dos três fundadores acabou por funcionar a favor do projeto.

Aurélio é mestre em Desportos de Natureza e realizou um estágio de oito meses num ginásio em Itália. Guilherme tem formação em Gestão de Empresas e experiência profissional na área, assumindo uma base importante na estruturação do negócio.

David é médico veterinário.

A utilidade desta última formação para gerir um ginásio de escalada pode parecer menos evidente, mas a equipa tem uma explicação:

«Tem-se revelado surpreendentemente útil para lidar com as autênticas “feras” que atacam as nossas paredes de escalada todos os dias.»

Três perfis bastante diferentes acabaram, assim, por criar uma divisão natural de conhecimentos e responsabilidades.

Três anos que coincidiram com uma escalada portuguesa em transformação

O PROA nasceu numa altura particularmente dinâmica para a escalada indoor em Portugal.

Na leitura dos fundadores, uma das maiores mudanças dos últimos anos foi o crescimento rápido da comunidade, impulsionado tanto pela abertura de novos ginásios como pelo aumento do interesse em atividades ao ar livre depois da pandemia.

Mais pessoas começaram a escalar. Mais espaços apareceram. E a modalidade tornou-se visível para públicos que anteriormente dificilmente teriam contacto com ela.

Mas crescer traz também novos desafios.

Quando questionados sobre três mudanças que gostariam de ver acontecer na escalada portuguesa, os fundadores apontam para áreas que ultrapassam bastante as paredes do próprio PROA.

A primeira é uma abordagem mais estruturada ao acesso responsável à rocha, através de colaboração entre escaladores, entidades e responsáveis pelas áreas naturais. O objetivo seria encontrar modelos que permitam conciliar a prática da escalada com a proteção da fauna, da natureza e das comunidades locais.

A segunda passa por mais apoio à infraestrutura indoor, facilitando a criação, expansão e inovação dos espaços de escalada.

A terceira olha para as gerações seguintes: integrar mais escalada no desporto escolar, criando parcerias entre escolas e ginásios que permitam a crianças e jovens experimentar a modalidade num ambiente controlado.

Um aniversário celebrado a escalar

Foi precisamente a comunidade que esteve no centro da ideia do PROA Climbing Contest.

A competição nasceu associada ao aniversário do ginásio, não com a intenção de criar apenas uma prova orientada para atletas de alto rendimento, mas como uma forma de quebrar a rotina e juntar diferentes tipos de escaladores no mesmo dia.

«O nosso principal objetivo é que seja um momento de celebração e de convívio, e não apenas uma prova de alto rendimento.»

A edição do terceiro aniversário foi desenhada com 30 blocos e dois turnos de qualificação, com problemas pensados para colocar à prova técnica, equilíbrio, coordenação e força. A final recuperou o conceito de corrida lado a lado entre os melhores classificados, uma das características mais marcantes da edição anterior.

A intenção, segundo a equipa, é que alguém que nunca participou numa competição possa entrar sem sentir que está no lugar errado.

A superação pessoal e a diversão devem continuar a ter mais peso do que a classificação final.

Dois dias fechado para algumas horas de competição

Para quem entra no ginásio no dia de um contest, os blocos estão montados, as presas limpas e tudo parece simplesmente pronto para ser escalado.

Nos bastidores, a realidade é bastante diferente.

O planeamento começa meses antes, com contactos, parceiros, patrocínios e toda a logística necessária para organizar o evento. Na reta final, o PROA fecha ao público durante dois dias completos.

É aí que começa a parte mais visível para os routesetters.

As paredes precisam de ser desmontadas e transformadas num conjunto de problemas suficientemente variado para receber escaladores de diferentes níveis. Cada bloco é criado, experimentado, discutido e afinado antes de chegar aos participantes.

O resultado final ocupa apenas algumas horas de competição, mas representa meses de preparação.

E daqui a três anos?

Depois dos primeiros três anos, a equipa já olha para os próximos.

A ambição passa por consolidar o PROA como uma referência da escalada em Portugal, mas a visão não está limitada a ter mais paredes ou mais metros quadrados.

Os fundadores querem desenvolver uma estrutura de formação mais forte, criar uma academia orientada para a evolução técnica indoor e melhorar a ligação entre quem começa no ginásio e quem quer descobrir a escalada na rocha.

Há também vontade de aumentar a capacidade e continuar a melhorar as valências do espaço.

Mas, quando projetam o PROA daqui a outros três anos, regressam à mesma ideia que esteve presente desde o início.

«Queremos olhar para o trabalho feito e ver que fomos capazes de expandir a nossa capacidade e melhorar as nossas valências, construindo não apenas um ginásio melhor, mas uma comunidade ainda mais forte, unida e consciente.»

Talvez seja essa a melhor forma de resumir os primeiros três anos.

O PROA começou como a vontade de três amigos de construírem um espaço próprio. Cresceu com novas paredes, equipamento, aulas e competições, mas também com centenas de pequenas experiências individuais de pessoas que decidiram experimentar escalada e continuaram a aparecer semana após semana.

Três anos depois, a ambição já não é apenas continuar a crescer.

É crescer sem perder aquilo que os levou a começar.

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