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PROA celebra três anos de escalada, comunidade e crescimento em Matosinhos

Três amigos, uma paixão comum pela escalada e a vontade de criar um espaço à sua imagem. Foi assim que nasceu a PROA, em Matosinhos, que este mês celebra três anos de atividade depois de mais uma edição do PROA Climbing Contest, realizada a 5 de outubro.

Mais do que uma data no calendário, o terceiro aniversário marca uma etapa importante para um projeto que começou de forma relativamente simples e que, ao longo destes anos, foi crescendo juntamente com a comunidade que o rodeia.

Falámos com a equipa da PROA sobre a origem do projeto, a escolha de Matosinhos, a evolução do espaço, as mudanças na escalada portuguesa e aquilo que imaginam para os próximos anos.

De três amigos a um espaço próprio

A ideia da PROA nasceu da experiência que Aurélio, Guilherme e David já partilhavam antes da abertura do ginásio.

Os três trabalhavam juntos noutro espaço de escalada, dando aulas e fazendo routesetting, uma experiência que acabou por criar uma forte sintonia profissional.

Foi dessa relação, combinada com várias aventuras partilhadas na escalada, que surgiu a vontade de avançar para algo próprio.

A ambição era clara: construir um espaço de raiz que refletisse a forma como viam a escalada e a experiência que queriam proporcionar a quem entrasse pela porta.

Porquê Matosinhos?

Para uma equipa com fortes ligações à zona do Porto, Matosinhos apareceu naturalmente como o local ideal.

A cidade reúne uma comunidade jovem, ativa e muito ligada ao desporto, com uma cultura fortemente influenciada pela proximidade ao mar, pelo surf e pelo treino ao ar livre.

Essa ligação a um estilo de vida dinâmico encaixava na identidade que a PROA queria construir.

Três anos depois, Matosinhos já faz parte dessa identidade.

Um ginásio que cresceu com os seus escaladores

Quando abriu portas, a PROA tinha uma dimensão diferente daquela que apresenta atualmente.

Não existia ainda a zona de bar, a Tension Board ou a parede infantil. Foram melhorias que surgiram progressivamente, acompanhando as necessidades do espaço e da própria comunidade.

A equipa descreve estes primeiros anos como uma enorme curva de aprendizagem.

A filosofia inicial, no entanto, manteve-se: criar um espaço acolhedor, relativamente intimista e com uma forte preocupação pela qualidade.

Talvez uma das maiores recompensas tenha sido acompanhar pessoas que começaram praticamente do zero e que hoje fazem da escalada uma parte importante da sua vida.

Alguns chegaram à PROA depois de nunca se terem identificado com o ambiente de um ginásio tradicional e acabaram por encontrar na escalada uma nova forma de treinar, socializar e adotar um estilo de vida mais ativo.

Para quem quer dar o passo para a rocha, a equipa procura também encaminhar os praticantes para locais, empresas e associações qualificadas.

No indoor, os planos passam por continuar a desenvolver a área de treino e criar acompanhamento mais específico para quem procura melhorar a performance.

Uma equipa com competências muito diferentes

Uma das forças da PROA está precisamente nas diferentes experiências dos três fundadores.

Aurélio é mestre em Desportos de Natureza e passou oito meses num ginásio de escalada em Itália, onde pôde aprofundar muitos dos conhecimentos ligados à modalidade.

Guilherme, formado em Gestão de Empresas e com experiência prévia na área, trouxe para o projeto a componente de organização e gestão.

E David é médico veterinário.

Uma formação que, segundo a própria equipa, acaba por ser particularmente útil para lidar com as “feras” que atacam diariamente as paredes da PROA.

Três anos em plena transformação da escalada portuguesa

A PROA nasceu numa fase de enorme crescimento da modalidade em Portugal.

Nos últimos anos abriram novos ginásios, aumentou significativamente o número de praticantes e a escalada outdoor beneficiou também do interesse crescente por atividades ao ar livre que surgiu depois da pandemia.

Mas esse crescimento traz igualmente novos desafios.

Se pudesse mudar três aspetos da escalada portuguesa, a equipa da PROA começaria pelo acesso responsável às zonas de rocha.

Defendem uma maior colaboração entre escaladores e entidades responsáveis pelo território, criando regras que permitam conciliar a prática da escalada com a proteção da fauna e dos ecossistemas locais.

Outro ponto seria a criação de mais apoios para infraestruturas indoor, facilitando a abertura e modernização de ginásios.

Por último, gostariam de ver uma maior integração da escalada no desporto escolar, através de parcerias entre escolas e ginásios que permitissem aproximar crianças e jovens da modalidade.

O aniversário que se tornou competição

O PROA Climbing Contest nasceu precisamente como uma forma de celebrar o aniversário do ginásio.

No passado dia 5 de outubro, a competição regressou para a terceira edição, transformando mais uma vez o aniversário num encontro da comunidade.

Desde o início, o objetivo nunca foi criar apenas uma competição destinada aos escaladores mais fortes.

A ideia passa por proporcionar um dia diferente dentro do ginásio, onde escaladores de vários níveis podem testar técnica, equilíbrio, coordenação e força num ambiente mais descontraído.

É também uma oportunidade para quem nunca participou numa competição experimentar esse contexto sem a pressão habitual de uma prova de alto rendimento.

A diversão, o convívio e a superação pessoal continuam a ser os elementos centrais do evento.

Um dos momentos mais particulares do formato é a final, disputada numa corrida lado a lado entre os quatro melhores classificados das categorias feminina e masculina.

O trabalho que não se vê

Para quem participa, a competição ocupa apenas um dia.

Para quem a organiza, começa vários meses antes.

Parceiros, patrocinadores, logística e planeamento começam a ser preparados com antecedência.

Nos dias imediatamente anteriores à competição, o ginásio fecha durante dois dias completos.

É aí que os setters tomam conta do espaço.

Os blocos são criados, testados, modificados e afinados sucessivamente para garantir variedade de movimentos e desafios adequados aos diferentes níveis de participantes.

É um lado menos visível do evento, mas fundamental para que tudo funcione quando as portas voltam a abrir.

E daqui a três anos?

Se os primeiros três anos foram sobretudo de construção e aprendizagem, os próximos deverão ser de consolidação.

A ambição é transformar a PROA numa referência ainda maior na escalada portuguesa.

A equipa quer desenvolver uma estrutura de formação mais completa, criar uma verdadeira academia focada na evolução técnica indoor e reforçar o papel do ginásio como ponto de ligação responsável entre novos escaladores e a escalada outdoor.

Existe também vontade de continuar a aumentar a capacidade e melhorar as infraestruturas.

Mas a dimensão física é apenas parte do projeto.

Daqui a outros três anos, o objetivo será poder olhar para trás e perceber que a PROA construiu não só um ginásio melhor, mas também uma comunidade mais forte, mais próxima e mais consciente.

Depois de três anos, talvez seja essa a melhor medida do crescimento de um espaço de escalada: não apenas quantas paredes foram acrescentadas, mas quantas pessoas começaram nelas a sua própria história na escalada.

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